ILCT – Escola tradicional acompanha necessidades do diversificado mercado lácteo

ILCT Escola tradicional acompanha necessidades do diversificado mercado lácteo

A EPAMIG Instituto de Laticínios Cândido Tostes (EPAMIG ILCT) é uma escola reconhecida no Brasil e na América Latina como um centro de propagação de conhecimento e técnica para o setor de leite e produtos lácteos. Com 91 anos de existência, a escola passou por aprimoramentos para atualização de seu modelo de ensino. Com investimentos contínuos em modernização, hoje o Instituto promove a integração entre ensino, pesquisa e inovação. Os estudantes têm a oportunidade de participar de projetos, além de vivenciar outras experiências práticas. Para falar mais das necessidades para a formação de laticinistas, a Revista + Leite entrevistou Sebastião Tavares de Rezende, Chefe Geral da EPAMIG ILCT.

Por: Juçara Pivaro

Revista +Leite – Como a formação técnica em laticínios evoluiu nas últimas décadas para acompanhar as transformações da indústria, especialmente com a chegada de novas tecnologias, processos automa-tizados e maior exigência por qualidade e segurança dos alimentos?

Sebastião Tavares de Rezende – A formação em laticínios evoluiu significativamente nas últimas décadas para atender às demandas de uma indústria cada vez mais tecnológica e orientada pela qualidade. A incorporação de tecnologias como equipamentos automatizados, sistemas de controle eletrônico, sensores em linha, rastreabilidade digital e softwares de gestão industrial transformou os processos produtivos, exigindo profissionais com maior capacidade técnica para operar, monitorar e otimizar sistemas complexos de produção. Paralelamente, o aumento das exigências relacionadas à qualidade e à segurança dos alimentos ampliou a importância de conhecimentos em microbiologia, controle de processos, legislação sanitária, programas de autocontrole e sistemas de gestão da qualidade. Dessa forma, o profissional formado em laticínios passou a desempenhar papel estratégico na garantia da segurança dos produtos, na padronização dos pro-cessos e na melhoria contínua da eficiência e da competitividade das indústrias do setor lácteo.

Revista +LeiteDiante da diversificação do mercado, com o crescimento de produtos como queijos especiais, bebidas lácteas, produtos funcionais e ingredientes derivados do leite, como as instituições de ensino têm atualizado seus cursos e laboratórios para preparar os futuros profissionais?

Sebastião Tavares de Rezende – A diversificação do mercado lácteo tem exigido atualização constante dos cursos de Ciência e Tecnologia de Alimentos. O crescimento de segmentos como queijos especiais, produtos funcionais, bebidas lácteas fermentadas, concentrados pro-teicos e ingredientes derivados do leite demanda profissionais com formação mais abrangente, capazes de integrar conhe-cimentos de processamento, inovação, qualidade, sustentabilidade e desenvol-vimento de produtos. Nesse contexto, as instituições de ensino vêm revisando seus currículos para incorporar conteúdos ali-nhados às novas demandas da indústria e às tendências de consumo. Os laboratórios e plantas-piloto têm assu-mido papel cada vez mais estratégico na formação dos estudantes. A aprendizagem prática permite que os alunos compre-endam desde os processos clássicos da indústria láctea, como fermentação, centri-fugação e tratamentos térmicos, até tecno-logias mais recentes voltadas à agregação de valor e à eficiência dos processos, como separação por membranas, automação industrial e métodos avançados de controle de qualidade. Essa vivência prática aproxi-ma o ambiente de formação da realidade encontrada nas indústrias de alimentos.

No caso da EPAMIG ILCT, existe ainda um diferencial importante: a integração entre ensino, pesquisa e inovação. Por ser uma instituição que também desenvolve pes-quisas aplicadas para o setor agroindus-trial, os estudantes têm a oportunidade de participar de projetos relacionados ao desenvolvimento de novos produtos, à oti-mização de processos, ao aproveitamento de coprodutos e à avaliação de tecnolo-gias emergentes, sempre com foco em sustentabilidade e inovação. Esse contato direto com a pesquisa contribui para a formação de profissionais mais preparados para enfrentar os desafios atuais e futuros da cadeia de alimentos.

Revista +Leite Quais são hoje os principais desafios para a formação de mão de obra qualificada para o setor de laticínios e como a aproximação entre escolas técnicas, centros de pesquisa e empresas pode contribuir para o avanço da cadeia produtiva?

Sebastião Tavares de Rezende – Os principais desafios para a formação de mão de obra qualificada para o setor de laticínios estão relacionados à necessidade de alinhar a educação às constantes transformações da sociedade e às demandas reais da cadeia produtiva. Nesse contexto, a formação profissional deve ir além da transmissão de conhecimentos teóricos, desenvolvendo competências que permitam aos profissionais identificar problemas e propor soluções inovadoras para o setor. A formação profissional deve proporcionar conhecimento científico, tecnológico e capacidade para contribuir com o aumento da produtividade, da qualidade e da sustentabilidade da produção de leite e derivados. Para isso, é fundamental que as instituições de ensino realizem avaliações periódicas e adaptem continuamente seus projetos pedagógicos, acompanhando as mudanças tecnológicas, regulatórias e de mercado. A aproximação entre escolas, centros de pesquisa e empresas desempenha papel estratégico nesse processo. A adoção de metodologias de ensino ativo, estudos de caso, projetos práticos e seminários com a participação de parceiros do setor permite que os estudantes tenham contato direto com os desafios enfrentados na cadeia produtiva. Essa interação deve envolver desde grandes indústrias de laticínios até pequenos produtores rurais, cooperativas e associações, ampliando a compreensão so-bre os diferentes contextos produtivos e as necessidades específicas de cada segmento. Essa integração favorece a troca de conhe-cimento entre academia e setor produtivo, possibilitando que pesquisas e inovações sejam direcionadas para problemas reais e contribuam de forma efetiva para o de-senvolvimento da cadeia láctea.

Revista +LeiteComo a atividade de pesquisas no setor de laticínios entrou para as ações da EPAMIG ILCT? Como avalia a evolução em tecnologia (equipamentos e instrumentos no local) e em pesquisas na EPAMIG ILCT?

Sebastião Tavares de Rezende – A pesquisa faz parte da história e da missão do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, acompanhando sua atuação na formação de profissionais e na geração de conhe-cimento para a cadeia produtiva do leite. Ao longo de sua trajetória, a instituição consolidou a integração entre pesquisa, ensino e transferência de tecnologia, con-tribuindo para o desenvolvimento do setor lácteo brasileiro.

A evolução das atividades de pesquisa acompanhou as transformações da indús-tria e as crescentes exigências relacionadas à qualidade, segurança, inovação e sustentabilidade. Nesse período, a instituição investiu na modernização de sua infraestru-tura, ampliando e atualizando laboratórios, plantas-piloto e equipamentos analíticos e de processamento. Esses avanços per-mitiram o desenvolvimento de pesquisas cada vez mais alinhadas às demandas do setor produtivo.

Além da tecnologia, a EPAMIG ILCT am-pliou sua capacidade de geração de co-nhecimento por meio da formação de equipes multidisciplinares e do fortale-cimento de parcerias com universidades, empresas e instituições de pesquisa. Esse processo ampliou o alcance das pesquisas desenvolvidas pela instituição e fortaleceu sua atuação em temas estratégicos para o desenvolvimento do setor e da sociedade.

Revista +LeiteAtualmente, quais vertentes de pesquisas têm foco na EPAMIG ILCT?

Sebastião Tavares de Rezende – Atualmente, a EPAMIG ILCT vem trabalhando em 19 linhas de pesquisa organizadas em aproximadamente 30 projetos, contemplando temas estratégicos para a cadeia produtiva do leite.

As atividades abrangem áreas como desenvolvimento de produtos lácteos, qualidade e segurança dos alimentos, microbiologia, culturas lácteas, tecnologia de queijos, produtos fermentados, aproveitamento de coprodutos, sustentabilidade, embalagens e otimização de processos industriais.

A instituição se destaca pelos trabalhos realizados com produtores de queijo de diversas regiões do país, contribuindo para a melhoria da qualidade e da segurança dos alimentos e para a valorização dos produtos, com reflexos em premiações nacionais e internacionais.

Além disso, desenvolve estudos relaciona-dos ao leite humano, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e tec-nológico voltado à saúde materno-infantil. Por meio dessas linhas, a EPAMIG ILCT bus-ca gerar conhecimento científico e soluções tecnológicas que beneficiem produtores, indústrias e a sociedade, contribuindo para a inovação, a qualidade dos alimentos, a sustentabilidade e a promoção da saúde e do bem-estar.

papel estratégico na garantia da segurança dos produtos, na padronização dos pro-cessos e na melhoria contínua da eficiência e da competitividade das indústrias do setor lácteo.

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