CNA destaca transformação estrutural e avanço de produtividade no leite brasileiro

CNA destaca transformação estrutural e avanço de produtividade no leite brasileiro

Setor dobrou produção e desempenho nas últimas décadas e avança em profissionalização, mas ainda enfrenta desafios de competitividade e políticas estruturantes

Por: Erika Ventura

O setor leiteiro brasileiro pas-sou por uma transformação profunda nas últimas décadas, marcada por aumento de es- cala, modernização tecnológica e maior profissionalização dentro da porteira. Segundo a Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o país saiu de um patamar de baixa produtividade para um cenário mais eficiente e competitivo ainda que desigual entre as regiões.

De acordo com Guilherme Dias, assessor técnico da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, o avanço produtivo é resultado direto dos investimentos do pro-dutor rural: “A produção nacional de leite cresceu mais de 80% nas últimas déca-das. Saímos de 19 bilhões de litros/ano e saltamos para mais de 35 bilhões. Isso é fruto justamente do investimento que o produtor vem realizando dentro da porteira, em diversas frentes. O melhoramento genético, a ampliação de tecnologias reprodutivas, o uso de inseminação artificial ou em tempo fixo e transferência de embriões tem contribuído sobremaneira para o avanço genético do rebanho brasileiro”, salienta Dias.

O executivo destaca ainda que a evolução também está ligada à modernização dos sistemas produtivos e da gestão nas propriedades. “Ao mesmo tempo o produtor vem se capacitando em gestão e investindo em sistemas produtivos mais modernos, como o confinamento ou a pasto. Para os produtores de leite as pastagens irrigadas, o planejamento forrageiro, si-lagens altamente produtivas, capineiras já são realidade. Tudo isso contribui para maior eficiência dentro da porteira, redu-indo custos e promovendo alimentação de qualidade”, explica o assessor técnico. Outro ponto relevante é a consolidação da atividade, com redução no número de produtores e aumento da produtividade média. Segundo Dias, entre os dois últimos censos, cerca de 200 mil produtores deixaram a atividade. As principais razões repousam sobre a baixa escala produtiva, que associada às margens estreitas e competição com produtos importados a preços artificiais, vem comprometendo a viabilidade das fazendas de menor porte. Tal tendência não é exclusiva do Brasil. Mesmo assim, a produtividade avançou fortemente e hoje sustenta o abastecimento nacional.

Expansão e potencial para crescer

Para a CNA, o Brasil reúne condições naturais e tecnológicas para ampliar sua presença global, mas precisa avançar em competitividade e políticas públicas. “O potencial de crescimento da produção do leite brasileiro é enorme. Temos clima, solo, pastagens genética, tecnologia e pessoal qualificado para ampliar a nossa produtividade e abastecer plenamente o mercado interno, sem depender de importações”, enfatiza o assessor. Além disso, desafios relacionados ao chamado ‘custo Brasil’, bem como a fa-cilitação do acesso ao crédito rural e as-sistência técnica para investimentos em ganhos de escala precisam ser vencidos para ampliar a oferta de leite com com-petitividade. A entidade reforça ainda que iniciativas como assistência técnica, gestão de risco e melhoria sanitária são fundamentais para o futuro do setor, que busca maior previsibilidade e competiti-vidade internacional.

“Um mercado interno pujante, livre da competição desleal com importações a preços de dumping, ao mesmo tempo em que o produtor tenha previsibilida-de na receita obtida pela sua produção, são também entraves a serem superados. Da mesma forma, o aumento no teor de sólidos no leite, via o fortalecimento de programas de bonificação pelos laticínios, contribuirá sobremaneira para um maior rendimento industrial do leite brasileiro, o que ajuda na redução da ociosidade industrial do país, hoje estimada em cerca de 30%”, detalha Dias.

O Sistema CNA/Senar vem atuando em diversas dessas frentes. Exemplos disso são a Assistência Técnica e Gerencial do Senar, a criação e fortalecimento do Fiagro para acesso do produtor ao crédito rural de forma facilitada e o pleito de políti-cas públicas por intermédio da Comissão Nacional de Pecuária de Leite.

A Comissão Nacional busca a necessária correção das distorções de mercado advindas do dumping praticado pelos fornecedores de leite em pó do Brasil, já reconhecidos pelo governo brasileiro, mas temporariamente suspensos. Enquanto buscamos a reversão desse cenário, trabalhamos também o lançamento do mercado futuro para o leite brasileiro, uma ferramenta de gestão de riscos capaz de gerar previsibilidade na receita do leite, evitando a exposição aos riscos de mercado e criando um ambiente favorável para o produtor investir. A Comissão trabalha também um pacote de medidas para proposição de melhorias ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose, com vistas a fortalecer o combate às doenças e promover avanço no status sanitário brasileiro.

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