Pesquisa da ABRASORVETE indica que 80% das indústrias preveem avanço superior a 10% na Primavera/Verão; alocação de capital em P&D para linhas funcionais e contratos temporários lideram estratégias
Com a previsão de temperaturas acima da média durante a Primavera/Verão devido ao fenômeno El Niño e o marco sazonal do Dia do Sorvete (23 de setembro), o setor de gelados comestíveis se prepara para uma aceleração da receita. Levantamento da ABRASORVETE (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis) aponta que 80% das indústrias esperam incremento nas vendas superior a 10% frente ao mesmo período do ano passado.
Otimismo mais acentuado é registrado por 43% dos fabricantes, que projetam salto superior a 20% no faturamento para a alta temporada, enquanto 37% estimam expansão entre 11% e 20%. Nenhuma das empresas consultadas prevê retração ou estagnação nas vendas. “O setor demonstrou agilidade operacional para absorver o pico de demanda sazonal. O ganho projetado é reflexo de um planejamento que equilibra a contratação de mão de obra temporária com a alocação de capital em portfólios de maior valor agregado”, afirma Márcio Favaro, presidente da ABRASORVETE.
Gestão de capacidade e mão de obra temporária
Para absorver a demanda projetada no varejo e no consumo de rua, as indústrias ativaram ajustes na capacidade instalada. A principal medida operacional adotada pelos fabricantes foi a contratação de mão de obra temporária, citada por 47% das empresas para reforçar linhas de produção e força de vendas no ponto de venda (PDV).
Outros 32% dos fabricantes fizeram o aumento de turnos para expansão da capacidade fabril e aceleração do lançamento de novos produtos. Aportes em logística de distribuição, rede de frio e campanhas de trade marketing foram indicados por 21% do setor.
Desempenho de Setembro e projeções para o Dia do Sorvete
O mês do Dia do Sorvete deve marcar a retomada das vendas de gelados no país, com 84% dos fabricantes prevendo crescimento no faturamento em relação a setembro de 2025. Confira a expectativa de aumento entre as indústrias do setor:
- De 6% a 10% de alta: 26% das empresas
- Até 5% de aumento: 26% das empresas
- De 11% a 20% de salto: 21% das empresas
- Mais de 20% de expansão: 11% das empresas
Os 16% restantes preveem estabilidade no faturamento em relação ao ano anterior.
Alocação de capital: P&D e portfólio de alto valor agregado
A pesquisa também mapeou a destinação de investimentos das empresas a médio prazo. Acompanhando a mudança de hábitos alimentares e a busca por saudabilidade, a prioridade do setor está concentrada em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D):
- P&D em linhas de alto valor agregado (57,9%): Foco em portfólios zero açúcar, veganos, proteicos e funcionais.
- Frota e conservação (15,8%): Expansão de equipamentos e conservadores em comodato no PDV.
- Expansão geográfica (15,8%): Ampliação do raio de distribuição regional.
- Automação industrial (10,5%): Aportes em eficiência energética e automação de processos.
“O empresário de gelados comestíveis compreendeu que a sustentabilidade financeira do negócio exige responder aos picos de demanda climática sem abrir mão da margem, obtida por meio de produtos funcionais e de maior densidade nutricional”, conclui Favaro.

