O futuro das embalagens passa por inovação, sustentabilidade, novos materiais e, principalmente, colaboração entre todos os elos da cadeia produtiva. Essa foi a principal mensagem do primeiro dia do Congresso Pack Tech, promovido pelo Instituto de Embalagens, realizado em 1º e 2 de julho, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo.
Ao longo da programação, especialistas da indústria, do varejo e de grandes marcas apresentaram tendências globais, cases de inovação e desafios que devem moldar os próximos anos do setor.
Logo na abertura, Assunta Camilo trouxe um panorama da Interpack, considerada a principal feira mundial da indústria de embalagens. Com mais de 170 mil visitantes de 169 países, cerca de 2.900 expositores e 18 pavilhões, o evento evidenciou movimentos que já impactam o mercado global, como a ascensão da indústria chinesa, a expansão da automação e da indústria cognitiva, além dos avanços em rastreabilidade, redução de desperdícios e economia circular.
Outro destaque apontado foi o fortalecimento dos materiais recicláveis e reutilizáveis, com ênfase no o papel e papelcartão, alternativas estratégicas para atender às metas ambientais, acompanhadas por investimentos na redução das emissões de carbono e no desenvolvimento de soluções de reúso.
A sustentabilidade também esteve no centro dos debates sobre o comportamento do consumidor europeu. Durante a apresentação de Winfried Mühling, da Pro Carton, foi reforçado que o desafio já não está apenas no desenvolvimento de embalagens recicláveis, mas na construção de um sistema eficiente para que elas efetivamente retornem à cadeia produtiva.
Segundo o especialista, empresas globais reconheceram que metas ambiciosas de eliminação de plásticos e adoção integral da circularidade não foram totalmente alcançadas. Ainda assim, a mobilização provocou avanços importantes, ampliando a transparência das empresas e colocando definitivamente a circularidade no centro das estratégias do setor.
A infraestrutura para coleta e reciclagem também surgiu como um dos principais gargalos. A percepção é de que o consumidor já compreende a importância da reciclagem, mas ainda enfrenta dificuldades pela falta de pontos de coleta e sistemas mais estruturados. Incentivos aos coletores e investimentos em logística reversa foram apontados como caminhos fundamentais para ampliar os índices de recuperação de embalagens.
Entre as inovações em materiais, Anderson Maia, da Papirus, apresentou soluções em papelcartão com barreiras para contato direto com alimentos, demonstrando como materiais de base renovável vêm conquistando espaço em aplicações que antes dependiam de outros substratos.
Os cases apresentados ao longo do dia também mostraram que inovação deixou de ser um diferencial para se tornar requisito competitivo. Rafael Silveira, da Beiersdorf Nivea, Guilherme DabDab, Douglas Almeida, da L’Occitane au Brésil, Sonia Rodrigues, da Fedrigoni, Antonio Sá, da Amicci, e Marcelo Franco, da Ceratti, compartilharam experiências envolvendo desenvolvimento de embalagens, fortalecimento das marcas, valorização da identidade brasileira, evolução das marcas próprias e adequação às novas expectativas dos consumidores.
Em comum, as apresentações reforçaram que inovar exige equilibrar desempenho técnico, viabilidade econômica e responsabilidade ambiental. Como sintetizado durante as discussões, a sustentabilidade precisa caminhar lado a lado com resultados concretos para que as soluções consigam ganhar escala.
Mais do que um simples invólucro, a embalagem foi apresentada como um elemento estratégico da experiência de consumo. Como destacou Assunta Camilo, “o futuro cabe dentro de uma embalagem”, reforçando seu papel como elo silencioso entre produtos, marcas e consumidores, capaz de conectar inovação, funcionalidade e sustentabilidade em um mercado cada vez mais exigente.

