Alimentos e bebidas em embalagens longa vida: o que é mito e o que é verdade?

Alimentos e bebidas em

Das barrinhas coloridas até fake news do uso de conservantes e doce de leite na caixinha: 6 fatos sobre as embalagens que talvez você não saiba

Responsáveis por transformar a forma de acondicionar, conservar e distribuir alimentos em todo o mundo, as embalagens cartonadas, popularmente conhecidas como longa vida, tornaram-se parte do cotidiano. Os produtos embalados, assim como os modelos dessas embalagens, são bastante variados, abrangendo desde caixas de leite para a família e sucos para crianças até molhos de tomate e bebidas prontas para consumo individual, como whey protein e suplementos vitamínicos. Mais recentemente, até bebidas alcoólicas passaram a ser envasadas nestas embalagens.

Elas são amplamente utilizadas por marcas renomadas de alimentos e bebidas, devido à sua capacidade de proteção do alimento, dispensando o uso de conservantes, além de sustentabilidade e praticidade. No entanto, ainda existem muitos mitos e curiosidades sobre elas. Para esclarecer, reunimos algumas das principais dúvidas que geram muita curiosidade nas pessoas e trouxemos as respostas de especialistas. Confira:

As barrinhas coloridas no fundo da caixa significam que o conteúdo foi reprocessado?

FAKE NEWS: os quadrados coloridos presentes na parte de baixo de embalagens são apenas um teste de impressão, assim como os números ou pontos coloridos também encontrados em algumas embalagens cartonadas. Além disso, é importante ressaltar que o reprocessamento térmico do leite usado para consumo humano é proibido pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem (Riispoa).

Salvador Marino, diretor industrial das fábricas da Tetra Pak de Monte Mor (SP) e Ponta Grossa (PR) – empresa responsável pela maior parte das embalagens cartonadas disponíveis no mercado, esclarece que a presença dos quadrados coloridos se explica pelo processo de produção. “Cada cor que pode ser vista na impressão das embalagens é resultado da aplicação de uma tinta específica usada e os quadrados indicam o conjunto destas tintas, todas à base de água, já utilizadas em cada embalagem. Dessa forma, os especialistas podem acompanhar o processo de impressão em tempo real e, caso essas marcações saiam do padrão esperado, é possível corrigir o erro rapidamente, evitando assim, desperdício de matéria-prima e tempo de produção, garantindo a qualidade da impressão”.

O Posso cozinhar doce de leite na caixinha? E cozinhar alguma carne?

MITO: basta uma pesquisa rápida em qualquer canal para encontrar como fazer o doce a partir do leite condensado vendido nas caixinhas, que parece simples à primeira vista, mas fica o alerta: a embalagem cartonada não é feita para cozinhar. Ou seja, receitas de carne cozida na caixinha, que de tempos em tempos surgem na Internet, também devem ser evitadas. Em sua composição, a embalagem longa vida possui seis camadas, que incluem plástico, alumínio e papel. Estes materiais impedem a entrada de luz, ar, água e microrganismos e não devem ser submetidos a altas temperaturas, uma vez que não foram projetados e desenvolvidos para essa finalidade, além de que, se submetidos a altas temperaturas, os materiais podem migrar para o alimento.         

A embalagem cartonada pode ir ao micro-ondas?

FAKE NEWS: não é possível, pois a embalagem contém alumínio em sua composição. Como qualquer metal, pode gerar faíscas e estragar o aparelho.

Todo o produto envasado em embalagem cartonada precisa de conservantes?

MITO. Não são necessários. O produto envasado em embalagem cartonada dispensa o uso de conservantes e de refrigeração antes da abertura. Tal crença (de que alimentos que estão nas caixinhas precisam de conservantes) se popularizou nos últimos anos, mas esse é um caso de fake news da embalagem. As seis camadas da caixinha, o envase asséptico e toda a tecnologia de processamento UHT ou pasteurização garantem que os produtos dispensem a adição de conservantes em sua composição, além de manter as características por mais tempo como sabor e valor nutricional, mantidos em temperatura ambiente até o momento da abertura. Assim, quem irá optar por adicionar aditivos ou não são os fabricantes do alimento, responsáveis pela formulação, seguindo as legislações brasileiras e de acordo com a necessidade de cada produto.

A Gerente Técnica da Tetra Pak, Fernanda Miguel, explica que “os processos térmicos como a pasteurização e UHT (Ultra-High-Temperature), unidos ao envase asséptico (sem contato com o ambiente externo) e às seis camadas da embalagem, não só possibilitam o aumento da vida útil dos produtos, como também garantem maior segurança do alimento e permitem que estes cheguem a lugares até então inalcançáveis devido à distância geográfica de seus produtores”.

A embalagem cartonada não pode ser reciclada?

MITO. As caixinhas são totalmente recicláveis e feitas de três componentes: papel, plástico e alumínio, distribuídos em seis camadas, podendo chegar até 91% de fontes renováveis. A contribuição dos consumidores destinando o material para a coleta seletiva, junto com o enxague para eliminar os resíduos de alimento, ajuda a garantir que todo o material poderá ser reciclado.

Agora uma curiosidade: de onde surgiram as caixinhas?

Criada em 1951, a embalagem cartonada foi concebida na Suécia e inicialmente disponibilizada para leite, além de ter sido feita à base de papel e em forma de tetraedro. A motivação de seu criador, Ruben Rausing, foi a de disponibilizar diferentes categorias de alimentos e bebidas de forma segura, em qualquer lugar, sem a necessidade do uso de conservantes ou refrigeração. Alguns anos mais tarde, ele fundou a Tetra Pak, e deu-se início, assim, ao que mais tarde se transformaria em um ecossistema que ajuda a indústria na jornada de disponibilizar alimentos de maneira segura em todos os lugares.

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