Grupo aposta em aquisições de laticínios familiares e mantém Serra das Antas como unidade independente para preservar processos, pessoas e identidade artesanal. Neste período de aquisições de laticínios, o Grupo Ipanema Lácteos, empresa 100% brasileira do interior de São Paulo, investiu em modelo diferenciado, adquirir uma empresa familiar de queijos artesanais – o Serra das Antas, uma das marcas mais premiadas do Brasil, que recebeu, inclusive, medalha Super Ouro no World Cheese Awards 2022/23, no Reino Unido. Rodrigo Mainieri,diretor de Marketing e Trade Marketing do Grupo Ipanema Lácteos, tem de 25 anos de experiência no mercado de bens de consumo em alimentos e atua no desenvolvimento das estratégias de marca e negócios, comunicação e gestão de execução de PDV do grupo, explica os objetivos da aquisição e como a nova marca da empresa será preserva em sua característica artesanal
Por: Juçara Pivaro

Revista + Leite – O que motivou o grupo a adquirir laticínios com tradição na produção de queijos artesanais? Qual foi o principal valor identificado nessas empresas?
Rodrigo Mainieri – A aquisição faz parte da estratégia de expansão não orgânica do Grupo Ipanema Lácteos, por meio de marcas que possam acelerar a geração de valor para o mix atual. Na Serra das Antas, encontramos uma forte sinergia de valores com o Grupo, especialmente pela origem familiar, pelo cuidado na produção e pela busca por excelência em todo o processo, do campo à mesa. A marca também vai ser pilar fundamental da nossa expansão comercial, principalmente no autosserviço e foodservice.
Revista + Leite – Quais foram os principais critérios considerados na escolha dos laticínios adquiridos?
Rodrigo Mainieri – Foi realizado um processo cuidadoso de avaliação, considerando principalmente marcas com portfólio complementar, potencial de crescimento e valores alinhados aos do Grupo Ipanema Lácteos. Entre esses valores estão a origem familiar, o cuidado na produção e a excelência em todo o processo.
Revista + Leite – Como o grupo pretende integrar essas empresas sem perder características que foram construídas ao longo de décadas?
Rodrigo Mainieri – Nossa estratégia é preservar toda a essência das marcas Serra das Antas, tratando-a como uma nova unidade de negócio independente. Isso significa preservar as pessoas, os processos, o ritmo produtivo e a filosofia de criação da marca. Essa é a premissa das duas empresas.
Revista + Leite – Existe um plano para manter as marcas tradicionais ou haverá uma estratégia de unificação sob uma marca do grupo?
Rodrigo Mainieri – As marcas serão mantidas. Serra das Antas passa a integrar o Grupo como uma unidade de negócio independente, preservando suas características e posicionamentos. A proposta é permitir que cada marca cresça de acordo com seus respectivos canais, regiões e consumidores.
Revista + Leite- Como preservar receitas, métodos de fabricação e conhecimentos que muitas vezes são transmitidos entre gerações dentro dos laticínios?
Rodrigo Mainieri – A preservação da essência das marcas é uma prioridade na integração. Isso envolve manter os processos e a filosofia de criação que fazem parte da história dos laticínios. No caso da Serra das Antas, o fundador Airton Gianesi da Costa permanece na estrutura como responsável pela parte técnica, incluindo desenvolvimento de produtos e qualidade, o que também contribui para a continuidade desse conhecimento.
Revista + Leite- Quais características dos queijos artesanais dessas empresas foram consideradas estratégicas e serão mantidas?
Rodrigo Mainieri – São características importantes a produção artesanal e autoral, o cuidado na produção, o rigor dos processos, a valorização da origem do leite e a escala controlada. A Serra das Antas se consolidou no segmento premium justamente por trabalhar esses aspectos e pela consistência sensorial de seus produtos.
Revista + Leite – A entrada de um grupo maior traz possibilidades de investimento em tecnologia e automação. Como equilibrar modernização industrial e preservação do processo artesanal?
Rodrigo Mainieri – Neste momento, nossa prioridade é preservar a essência das marcas. Serra das Antas foi incorporada como uma unidade de negócio independente, com manutenção das pessoas, dos processos, do ritmo produtivo e da filosofia de criação. Qualquer movimento de crescimento precisa respeitar essas características, que são parte importante da identidade das marcas. Em outras palavras, a essência da marca nunca será mudada porque é justamente essa essência que traz valor e diferenciação.
Revista + Leite – Há intenção de ampliar a produção desses queijos ou o objetivo é preservar volumes mais controlados justamente para manter suas características artesanais?
Rodrigo Mainieri – A Serra das Antas já trabalha com uma escala controlada, característica importante de seu posicionamento. A estratégia do Grupo é permitir o crescimento de cada marca, mas sem abrir da essência construída ao longo de sua trajetória.
Revista + Leite – Como vocês trabalham a padronização de qualidade sem descaracterizar produtos que têm justamente na sua identidade artesanal um de seus principais diferenciais?
Rodrigo Mainieri – Embora artesanais, os queijos seguem rigorosos processos que garantem a padronização de cada tipo de queijo. A qualidade, o cuidado e a consistência são valores que fazem parte da história do Grupo Ipanema Lácteos.
Revista + Leite – Há investimento em pesquisa e desenvolvimento para criar novos produtos a partir das receitas e conhecimentos dos laticínios adquiridos?
Rodrigo Mainieri – Sim. Independente de aquisição, o grupo mantém sempre investimentos para a melhoria dos produtos e ampliação de mix com inovações. A inovação e o desenvolvimento de produtos fazem parte da estratégia de crescimento do Grupo Ipanema Lácteos.
Revista + Leite – Quais são os principais desafios para integrar empresas de diferentes culturas e, ao mesmo tempo, preservar suas identidades?
Rodrigo Mainieri – O principal ponto é construir uma integração que gera sinergia sem eliminar as características que tornam cada marca única. Culturalmente as empresas já têm muita sinergia e este foi motivo importante na aquisição. Operacionalmente falando, Serra das Antas segue como uma unidade de negócio independente permite preservar a essência e DNA da marca.
Revista + Leite – Quando uma grande indústria adquire um laticínio artesanal, existe sempre o risco de a escala vencer a tradição. Como a empresa pretende fazer com que aconteça justamente o contrário, ou seja, usar a estrutura e o capital do grupo para fortalecer a tradição e agregar valor a esses queijos?
Rodrigo Mainieri -O plano para Serra das Antas não passa por escalar volumes ou distribuição. Queremos aproveitar as oportunidades de expansão, mas nos limites do posicionamento de uma marca artesanal e autoral. Escala não combina com artesanal!

