Segurança alimentar requer soluções com mais conexão

Segurança alimentar requer soluções com mais conexão

As principais tendências em segurança de alimentos apontam para um modelo cada vez mais integrado, orientado por dados e centrado em risco. As recentes discussões no GFSI Global Conference 2026, realizado em Vancouver em março, reforçam que a segurança de alimentos é uma responsabilidade compartilhada, que exige colaboração ao longo de toda a cadeia, transparência de dados, confiança e uso intensivo de tecnologia

Por: Juçara Pivaro

O setor de laticínios no Brasil en- frenta um desafio estrutural: garantir consistência em uma cadeia complexa e altamente sensível, desde a qualidade do leite na origem até a entrega ao consumidor final. Riscos microbiológicos, além de falhas na cadeia do frio e na rastreabilidade, continu- am entre os principais pontos de atenção. Nesse cenário, a SGS, empresa especialista mundial em testes, inspeção e certificação (TIC), ganha relevância estratégica. Por meio de um portfólio integrado de testes laboratoriais, auditorias, certificações e soluções digitais, a SGS apoia a indústria na prevenção de riscos, no fortalecimento do controle da cadeia de fornecimento e na construção de confiança. Mais do que atender a requisitos regula- tórios, o momento exige uma abordagem orientada por dados, cultura de segurança de alimentos e integração de ponta a ponta. É nesse contexto que a SGS po- siciona-se como um parceiro estratégico para impulsionar qualidade, transparência e competitividade no setor lácteo brasileiro.

Pontos críticos

Nas indústrias de laticínios, os principais erros relacionados à segurança de alimentos ainda estão menos ligados à ausência de normas e mais à consistência na execução ao longo da cadeia.

Um dos pontos mais críticos está nas fa- lhas em Boas Práticas de Fabricação (BPF), muitas vezes associadas a uma cultura de segurança de alimentos ainda imatura. Procedimentos existem, mas nem sempre são plenamente incorporados no dia a dia operacional, o que abre espaço para riscos microbiológicos relevantes

Rubiana Enz, Business Manager da SGS Brasil, afirma: “outro erro recorrente está no controle da matéria-prima, especialmente em um país com grande variabilidade na produção leiteira. Falhas na qualificação de fornecedores e no monitoramento do leite cru podem comprometer toda a cadeia produtiva desde a origem”.

Além disso, desafios nos controles de processo, como gestão inadequada de parâmetros críticos, higienização e prevenção de contaminação cruzada, ainda são pontos de atenção importantes dentro das plantas industriais.

Um aspecto muitas vezes subestimado pela indústria é a chamada “última milha”. Problemas de logística, transporte, ruptura da cadeia do frio e condições inadequadas no ponto de venda podem comprometer a qualidade do produto já finalizado, impactando diretamente a segurança do alimento e a saúde do consumidor.

É interessante destacar que os principais erros não estão apenas dentro da fábrica, mas na falta de integração entre origem, processo e distribuição, exigindo uma visão cada vez mais sistêmica e colaborativa de toda a cadeia de alimentos.

Desafios

Rubiana ressalta: “as indústrias brasileiras de alimentos enfrentam hoje três grandes desafios quando o tema é segurança de alimentos e eles vão muito além da conformidade com normas. O primeiro está na variabilidade da cadeia de fornecimento. O Brasil possui uma cadeia extensa e heterogênea, com diferentes níveis de maturidade entre fornecedores, que influi na padroni- zação da qualidade. O segundo desafio é a consolidação de uma cultura de segurança de alimentos dentro das organizações. Ainda é comum observar empresas com sistemas bem estruturados no papel, mas com dificuldades na execução no dia a dia. A segurança de alimentos precisa deixar de ser apenas um requisito técnico e passar a ser um valor incorporado por toda a orga nização, desde a liderança até a operação”. Vale destacar a necessidade de avançar em rastreabilidade e integração de dados ao longo da cadeia. Em um cenário cada vez mais complexo e dinâmico, a capacidade de identificar rapidamente a origem de um problema e agir de forma ágil é essencial para minimizar impactos ao consumidor e à reputação das empresas. Nesse cenário, o grande desafio do setor no Brasil está em conectar de forma eficiente origem, pessoas e dados — garantindo não apenas conformidade, mas consistência, transparência e confiança em toda a cadeia de alimentos.

Tecnologia

A tecnologia vem redefinindo a forma como as indústrias gerenciam a segurança de alimentos. Monitoramento contínuo, análise avançada de dados e rastreabilidade digital já permitem que as empresas deixem de atuar de forma reativa e passem a prevenir riscos ao longo de toda a cadeia. Rubiana destaca: “mais do que digitalizar processos, o diferencial está em transformar dados complexos em insights acionáveis, conectando ponta a ponta a cadeia de valor. Em um setor cada vez mais pressionado por transparência, eficiência e confiança, inicia- tivas como o SGS FoodNexus reforçam o papel da tecnologia como um habilitador estratégico para a segurança de alimentos no Brasil”.

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