Detalhes que se traduzem em eficiência

*Por Renzo Perazzolo 

Quando a máquina a vapor, ainda na revolução industrial, passou a transformar os processos, a eficiência e a produtividade se tornaram essenciais para garantir produção em escala e competitividade de mercado. Mais tarde, essa necessidade foi confirmada pelo avanço das linhas de produções fordistas, que consolidou a produção em massa. Desde então, interrupções na operação passaram a representar perdas significativas. 

Agora, mais de um século depois dessas mudanças, apesar de mais automatizada, tecnológica e conectada, a indústria ainda enfrenta um desafio muito prático na sua operação. Manter a balança equilibrada entre a indisponibilidade de itens e o excesso de abastecimento continua sendo um dos grandes desafios da gestão industrial. Ao mesmo tempo em que estoques excessivos também podem ser um problema – por capital imobilizado ou risco de obsolescência, por exemplo –, nenhuma fábrica pode correr o risco de não ter um componente essencial em mãos quando ele se faz necessário. 

A gestão desses componentes, portanto, passa também pela questão do custo total de operação, o chamado TCO, já que reduz custos desnecessários e evita desperdícios. Para decisões mais certeiras, é preciso uma análise contínua da operação, que, baseada em dados, oferece uma visão crítica dos componentes essenciais que precisam estar disponíveis para sustentar a produção. Sem esse olhar, as indústrias podem, inclusive, acumular itens que não fazem mais sentido para os seus equipamentos atuais. 

Renzo Perazzolo
Renzo Perazzolo, diretor da área de Serviços da Tetra Pak Brasil

Assim como a forma de produzir passou por mudanças e evoluções, os equipamentos, graças às novas tecnologias desenvolvidas, também podem passar por atualizações, modernizações e até substituições ao longo do tempo. E enquanto as peças desatualizadas ocupam espaço, aquelas que são realmente críticas podem não estar disponíveis quando necessário. 

É quase contraditório pensar que, ao passo em que caminhamos para processos cada vez mais tecnológicos e conectados, o controle das peças de reposição de equipamentos ainda depende, muitas vezes, de controles manuais e totalmente humanos. Assim, esse sistema acaba sendo sustentado apenas pela memória e os processos em torno dele se resumem à pergunta: alguém se lembra de onde está essa peça? 

Mas é justamente nas tarefas “simples demais” que podemos identificar oportunidades de inovar e de aplicar tecnologia em algo tão cotidiano. O controle passa a ser um aliado estratégico para a continuidade da produção. 

Hoje, a tecnologia permite analisar o estoque de forma muito mais inteligente e conectada à realidade da planta e, com isso, é possível entender se o estoque está alinhado às necessidades reais da fábrica. 

Uma parada inesperada por falta de peças aumenta os custos, as perdas e compromete a eficiência da produção. E essa realidade reforça uma lógica importante para a indústria moderna: ser eficiente não significa apenas produzir mais. Ser eficiente também envolve previsibilidade, disponibilidade e inteligência na gestão operacional. Em operações cada vez mais complexas, são os detalhes mais simples que fazem toda a diferença.  

*Renzo Perazzolo é diretor da área de Serviços da Tetra Pak Brasil. O executivo iniciou sua carreira na empresa em 2002 como trainee e, desde então, ocupou diversas posições no setor. Em 2010, assumiu o cargo de gerente de contas com foco em serviços e, oito anos depois, mudou-se para os Estados Unidos na posição para o mercado dos Estados Unidos e Canadá, sempre com foco no relacionamento com clientes.  Em sua formação, o diretor é graduado em Engenharia Elétrica pela Unesp (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”) e possui MBA pela Fundação Getúlio Vargas.  

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