Versatilidade, maturação e maior interesse do consumidor por diferentes perfis de sabor impulsionam o espaço do queijo no mercado brasileiro
Por: Erika Ventura
O queijo Gouda vem encontrando espaço em um mercado brasileiro cada vez mais aberto à diversidade de sabores, texturas e experiências de consumo. Tradicionalmente associado à produção holandesa, o queijo pode apresentar características bastante distintas de acordo com o tempo de maturação, ampliando as possibilidades de consumo e também de posicionamento pelas indústrias.
Para a UltraCheese, essa versatilidade é justamente um dos principais atributos do produto. Segundo Wagner Brilhante, CEO da empresa, o Gouda ocupa um espaço relevante no portfólio por combinar diferentes possibilidades de sabor e textura. “É um produto que pode estar presente tanto no dia a dia, em sanduíches, tábuas e receitas, quanto em ocasiões de consumo mais especiais”.
A possibilidade de trabalhar diferentes períodos de maturação também permite explorar públicos e momentos de consumo distintos. Um Gouda mais jovem tende a apresentar perfil mais suave e textura macia. Com o avanço da maturação, o queijo ganha intensidade e complexidade, além de mudanças perceptíveis na textura.
Esse movimento acompanha uma transformação no comportamento do consumidor. De acordo com Brilhante, o público brasileiro está mais disposto a experimentar novos estilos e compreender o que diferencia cada produto. “O Gouda tem encontrado um consumidor mais preparado para reconhecer diferenças de textura, intensidade, aroma e maturação. Esse queijo tem essa capacidade de aproximar o público de uma cultura de consumo de queijos mais diversa, sem deixar de ser um produto acessível e fácil de incorporar à rotina”.
Para o executivo, a mudança abre espaço para uma categoria de queijos mais diversificada. “Hoje, existe mais curiosidade para experimentar outros estilos e entender o que torna cada queijo diferente. Hoje, informações como origem do leite, região de produção, método de fabricação e tempo de maturação começam a fazer parte da decisão de compra”, afirma Brilhante. Segundo ele, esse comportamento aproxima o universo dos queijos de experiências já consolidadas em categorias como vinhos e cafés, nas quais características de produção e maturação ajudam a definir a percepção de valor.
Da matéria-prima à maturação
Se a diversidade de perfis é um dos atrativos do Gouda, alcançar essas características exige precisão em todas as etapas de produção. Para Maria do Céu, mestre queijeira da UltraCheese, o processo começa pela qualidade do leite e segue por uma série de controles que determinam o resultado final.
“Um bom Gouda depende de controle e precisão desde a chegada do leite até a maturação. A qualidade da matéria-prima é fundamental, mas o processo também exige atenção à temperatura, à formação e ao corte da coalhada, à retirada do soro, à lavagem da massa e à prensagem. Cada uma dessas etapas interfere diretamente no resultado final”, elenca a mestre queijeira.
A evolução é parte da identidade do produto. “Nesse queijo, a evolução ao longo da maturação é bastante perceptível: quanto maior o tempo, mais complexo e intenso tende a ser o perfil do queijo, com alterações também na textura”, enfatiza.
Além das características sensoriais, o Gouda também reúne nutrientes naturalmente presentes no leite, como proteínas, cálcio, fósforo e vitamina B12. Durante a maturação, a redução da água concentra esses nutrientes por porção. O processo também reduz significativamente a lactose, fazendo com que o Gouda maturado apresenta níveis muito baixos ou não detectáveis desse açúcar, embora a tolerância individual e as características de cada produto devam ser consideradas. Entretanto, a maturação concentra também gordura e sódio. Por isso, como outros queijos, o Gouda encontra seu espaço em uma alimentação equilibrada.
Entre um processo e outro, o Gouda ganha outro item importante para seu crescimento no Brasil: um consumidor cada vez mais interessado em descobrir queijos para além do tradicional.

